Vitória portuguesa de Paulo Fíuza nos camiões.
Nasser Al-Attiyah teve uma gestão incrível para alcançar a sua 6ª vitória no Dakar, dando à Dacia o primeiro triunfo na prova mais dura e exigente do mundo. Aos comandos do Dacia Sandrider e acompanhado pelo navegador belga Fabian Lurquin, o piloto do Qatar confirma ser uma das raposas mais matreiras do deserto, gerindo uma prova diferente de todas as outras, onde o equilíbrio e as pequenas diferenças dos tempos nas especiais, foram na verdade uma das grandes surpresas. Nasser Al-Attiyah alcançou também a sua 50ª vitória em especiais do Dakar. Agora só Stephane Peterhansel é o mais vitorioso, contabilizando oito triunfos.
Contas feitas ao fim de mais de 8.000 km de competição, Nasser terminou com apenas 9m42 de vantagem para o espanhol Nani Roma e 14m33 para o sueco Mattias Ekstrom, ambos aos comandos dos Ford Raptor que este ano impressionaram na dura prova saudita. Outro habitual candidato, Sébastien Loeb num Dacia Sandrider foi 4º classificado, a apenas 37 segundos do pódio, na frente de outro nome sonante, Carlos Sainz que terminou na 5ª posição aos comandos de um Ford. Aliás, a Dacia e a Ford foram as marcas dominantes deste Dakar, com a Toyota a acusar alguma deceção, não fazendo melhor que fechar os três últimos lugares do “Top ten” com Toby Price, Seth Quintero e Saood Variawa. O equilíbrio foi na verdade nota dominante nesta edição do Dakar, como demonstra o triunfo nas motos de Luciano Benavides numa KTM, que venceu com apenas 2 segundos de vantagem para a Honda de Ricky Brabec.
João Ferreira e Filipe Palmeiro, a equipa portuguesa que alinhou aos comandos de uma Toyota Gazoo Racing, terminou na 18ª posição, um lugar que estaria longe dos sonhos da equipa, mas que foi condicionado por uma prova muito exigente e problemas diversos. O piloto de Leiria promete regressar na próxima edição para tentar vencer. Mas o grande destaque luso à chegada a Yanbu na Arábia Saudita, foi o triunfo do português Paulo Fiúza na categoria dos camiões, integrando a equipa de Vaidotas Zala e Van Grol num Iveco Powerstar. Paulo Fiúza um dos navegadores mais conceituados no TT mundial, já tinha conquistado um 3º lugar à geral em 2020, ao lado de Stephane Peterhansel num Mini Buggy.
A comitiva portuguesa neste Dakar 2026 foi vasta, destacando-se também a participação de Maria Luís Gameiro acompanhada pela espanhola Rosa
Romero, que venceu a Taça das Senhoras num Mini, terminando pela segunda vez consecutiva um Dakar, resistindo a todas as adversidades de uma prova com estas características. João Monteiro e Nuno Morais (Can-AM Maverick) terminaram no 4º lugar entre os SSV, alcançando uma vitória em etapa. Pedro Gonçalves e Hugo Magalhães (Taurus T3 Max) foram 11º classificados nos Challenger, enquanto Rui Carneiro e Fausto Mota terminaram no 18º lugar. Hélder Rodrigues que assinalou a sua 13ª participação no Dakar sem nunca ter desistido, depois de dois pódios em moto (2011 e 2012), terminou com Gonçalo Reis no 23º lugar entre os SSV. Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira (Polaris) abandonaram a prova, depois do brilharete do ano passado. Um acidente atirou Gonçalo Guerreiro e Maykel Justo para fora da prova, depois de um 2º lugar conquistado o ano passado entre os Challenger. Também com um abandono registado, João Dias e Daniel Jordão (Polaris) não chegaram ao final da prova. Conhecidos como “as ajudas no deserto”, Bruno Martins e Eurico Adão (Polaris) acabaram por ser um excelente apoio durante as duas semanas de prova.
Numa prova diferente das habituais, mas sempre demasiado dura e exigente, Nasser Al-Attiyah demonstrou porque é um dos pilotos mais cotados neste tipo de competição. A Dacia e a Ford estiveram em destaque, enquanto nas outras categorias o espanhol Pau Navarro (Taurus) venceu entre os Challenger e o norte-americano Brock Heger (Polaris) conquistou o 3º triunfo consecutivo nos SSV. Na classe Stock o lituano Rokas Baciuska venceu na estreia do Defender e na Classe Classic o triunfo foi para o Land Rover Defender de Karolis Raisys.